Levar o Autenticador para o Celular Novo: O Que Vai Junto e o Que Não Vai

Levar o Autenticador para o Celular Novo: O Que Vai Junto e o Que Não Vai

Trocar de celular é rotina até você chegar no aplicativo autenticador. Contatos, fotos e mensagens têm caminhos próprios de migração, e quase todo mundo já fez esses. Os códigos de seis dígitos que ficam entre você e uma dúzia de contas seguem outras regras, e a hora de descobrir isso não é depois que o aparelho antigo já foi apagado e repassado. Se o que você quer é um aplicativo de mensagens num segundo celular, e não um substituto para este, vincular um dispositivo é uma decisão à parte — e uma que não move entradas de autenticador nem elimina a necessidade desta migração.

TL;DR: Não existe um procedimento único de migração de autenticador. O Google Authenticator pode sincronizar entradas com a sua Conta do Google ou movê-las por uma exportação feita no aparelho, e apagar uma entrada sincronizada a remove de todos os dispositivos sincronizados. O Microsoft Authenticator faz backup e restauração apenas dentro do mesmo tipo de dispositivo, e, para entradas corporativas, de estudante e de entrada sem senha, restaura o nome da conta e ainda assim exige um login novo. Mantenha o aparelho antigo funcionando e conectado até confirmar tanto que o aparelho novo consegue te autenticar quanto que existe uma rota de recuperação independente.

Três mecanismos, não um procedimento

A frase “mover meu autenticador” cobre várias coisas diferentes, e é nas diferenças que as pessoas ficam na mão.

Algumas entradas são sincronizadas, mantidas em sintonia entre os seus dispositivos e uma conta, em vez de existirem só num aparelho. Algumas são exportadas e importadas, movidas de propósito de um aparelho para outro. Algumas passam por backup e restauração, o que soa equivalente a sincronizar, mas carrega restrições que sincronizar não tem. E algumas entradas não se movem de forma nenhuma que seja utilizável — o que chega no celular novo é um nome numa lista, com a autenticação de fato ainda por restabelecer.

Duas fornecedoras, dois desenhos de produto, e dentro de cada um deles mais de um caso. Descobrir em qual caso cada uma das suas entradas está é a tarefa inteira.

Google Authenticator: sincronização e exportação manual

O Google documenta os dois caminhos na página sobre obter códigos de verificação com o Google Authenticator.

Sincronização. Quando você entra na sua Conta do Google dentro do Google Authenticator num aparelho novo, os seus códigos são sincronizados automaticamente para aquele aparelho. Isso depende de aquelas entradas terem sido sincronizadas com essa mesma conta antes: a sincronização mantém as cópias nos seus dispositivos em sintonia com a conta, então uma entrada que nunca foi sincronizada não está lá esperando para ser recolhida.

Transferência manual. Onde as entradas não estão sincronizadas, o aparelho antigo as exporta: no menu dele, Transferir contas, depois Exportar contas, escolhendo quais mover, o que produz QR codes. O aparelho novo usa Transferir contas e Importar contas para escaneá-los. Esse caminho exige que o aparelho antigo esteja funcionando e nas suas mãos, o que é uma das razões para não se desfazer dele cedo demais.

A consequência que pega as pessoas. O Google afirma que, se os seus códigos estiverem sincronizados, apagá-los os remove de todos os dispositivos em que estão sincronizados. Isso importa porque o instinto natural, ao terminar com um celular antigo, é dar uma arrumada removendo as contas do aplicativo antes de deixar o aparelho ir. Para entradas sincronizadas, isso não é arrumação; é apagar as entradas em todo lugar, inclusive no celular que você acabou de configurar. Aposentar um aparelho e apagar entradas de autenticação são ações separadas e devem continuar separadas.

Microsoft Authenticator: backup, restauração e a barreira entre plataformas

A abordagem da Microsoft é um backup, e não uma sincronização, e tem uma restrição que vale conhecer antes de escolher o seu celular novo.

Onde o backup fica. A orientação da Microsoft sobre fazer backup das suas contas descreve o Android fazendo backup numa conta pessoal da Microsoft, e o iOS usando o iCloud com o iCloud Drive, o Chaveiro do iCloud e o Backup do iCloud ativados. Entradas de terceiros que geram um código de uso único a cada trinta segundos estão incluídas. Restaurar, portanto, exige um backup que de fato foi feito, num armazenamento que você ainda consegue alcançar, a partir de uma plataforma compatível — e alcançar esse armazenamento pode, por si só, exigir um login, o que vale notar se o segundo fator daquela conta for justamente o celular que você está trocando.

A barreira do mesmo tipo de dispositivo. A página da Microsoft sobre restaurar credenciais de conta é explícita ao dizer que backup e restauração funcionam apenas no mesmo tipo de dispositivo, e que contas cujo backup foi feito num dispositivo iOS não podem ser restauradas num dispositivo Android. Se você está mudando de plataforma, esse caminho não leva as suas entradas para o outro lado, e você precisa se planejar para voltar a configurar o método de autenticação em cada conta que já tem, em vez de restaurar.

Um nome restaurado não é um método funcionando. Esta é a sutileza que mais vale absorver. Para contas corporativas ou de estudante, a Microsoft afirma que apenas o nome da conta é restaurado e que você vai precisar entrar de novo. O mesmo vale para contas pessoais configuradas para entrada sem senha. Entradas que usam um código de uso único são restauradas como geradores de código funcionando; as outras chegam como um item de lista que parece tranquilizador e ainda não autentica nada. Ver o nome da conta no celular novo não é confirmação de que ela funciona.

O que cada situação te dá

Sua entrada O que chega no celular novo O que ainda falta fazer Confirme antes
Google, entradas de fato sincronizadas com a conta em que você entra Os códigos, ao entrar nessa mesma conta Nada, se o login já os tiver produzido Que aquelas entradas foram sincronizadas ali, e que os códigos são aceitos
Google, não sincronizadas Nada, até você exportar do aparelho antigo Exportar e importar enquanto o celular antigo ainda funciona Que o aparelho antigo está disponível e funcionando
Microsoft, mesma plataforma, entrada de código de uso único, com backup acessível Um gerador de códigos funcionando Nada, se os códigos forem aceitos Que o backup está acessível, e que um código é aceito, e não apenas exibido
Microsoft, conta corporativa ou de estudante, ou entrada sem senha Apenas o nome da conta Um login novo para restabelecer o método Que você consegue concluir esse login antes de aposentar o celular antigo
Microsoft, mudando de plataforma Não é restaurado entre tipos de dispositivo Voltar a configurar o método diretamente em cada serviço Em quais serviços você vai precisar reconfigurar o método
Qualquer serviço em que o autenticador é o único fator O que as linhas acima derem Estabelecer uma segunda rota antes de mudar qualquer coisa Que a rota de recuperação é uma que você consegue de fato usar — uma página de ajuda publicada não é um fator que você tem em mãos

Confirme isto antes de aposentar o aparelho antigo

A ordem importa mais do que os passos individuais, e o princípio é um só: nada irreversível acontece com o celular antigo enquanto o celular novo não estiver comprovado.

Mantenha o aparelho antigo funcionando e conectado. Não apenas não apagado — ainda funcional e ainda com as sessões dele. Ele é a sua rede de segurança durante o processo inteiro, e o valor dele só termina quando você tiver confirmado tanto que cada método autentica no aparelho novo quanto que você tem uma rota de recuperação independente.

Entre no aparelho novo, de verdade. Não “a entrada apareceu na lista”, e sim uma autenticação real em cada conta que importa. Esse é o passo que distingue um nome restaurado de um método funcionando, e é o único jeito de diferenciar os dois.

Confirme uma rota de recuperação independente para cada conta. Algo que você realmente tem — códigos de recuperação, um segundo fator que você ainda consegue usar, ou uma rota de recuperação que você confirmou se aplicar ao seu caso. Uma página de ajuda publicada não é um fator na sua posse. Se esse segundo fator for um código SMS enviado para um número alugado, confira o que aquele número ainda consegue fazer antes de depender dele. Fique atento ao caso circular: se o único jeito de entrar na conta na nuvem que guarda o seu backup for um código do celular que você está aposentando, esse caminho se fecha junto com o celular. Isso vale conferir mesmo quando a migração parece ter corrido perfeitamente.

Só então aposente o aparelho antigo, seguindo a orientação da própria fabricante para o que você pretende fazer com ele — guardar, repassar ou devolver. Seja qual for essa rota, não chegue até ela apagando entradas de autenticação uma a uma de dentro do aplicativo, pelo motivo dado acima. O aparelho antigo também guarda outros dados e outras contas, então o descarte dele é uma decisão mais ampla do que esta migração.

Uma coisa que não pertence a lugar nenhum desta sequência: trocar de chip, portar um número ou comprar uma linha nova não move entradas de autenticador. Esses segredos ficam no aplicativo e no backup dele, não no chip. Se uma conta também usa SMS como segundo fator, essa parte de fato acompanha o número, e as duas coisas são fáceis de confundir — mas são sistemas separados, com modos de falha separados. Esse lado do SMS tem condições próprias: uma linha precisa conseguir receber mensagens, o que um plano só de dados não consegue, e um código que chega ainda precisa chegar até o campo, o que é um problema à parte de novo.

Duas situações que valem um passo a passo

As duas são hipotéticas, escritas para mostrar o raciocínio, não para relatar um caso.

A arrumação que apagou os códigos. Alguém configura um celular novo, entra no Google Authenticator e vê as entradas chegarem. Com isso, essa pessoa pega o aparelho antigo e apaga as contas do aplicativo dali antes de deixá-lo ir. Como aquelas entradas estavam sincronizadas, a exclusão não é local ao aparelho antigo. O erro de raciocínio é tratar o aplicativo antigo como uma cópia separada, quando a sincronização significa que ele é uma visão do mesmo conjunto. A sequência segura é confirmar que cada método autentica no celular novo e que uma rota de recuperação independente está em mãos, e só então lidar com o aparelho antigo pela orientação de aposentadoria da fabricante do aparelho, em vez de limpar entradas de dentro do aplicativo autenticador.

O nome de conta que não autenticava nada. Outra pessoa troca um iPhone por outro iPhone, restaura o Microsoft Authenticator a partir do backup do iCloud e vê a conta corporativa listada. Ela apaga o celular antigo. No próximo pedido de login, descobre a entrada presente mas inutilizável, porque, para contas corporativas e de estudante, a restauração traz o nome e ainda exige um login novo — um login que ela já não consegue concluir com facilidade, já que a rota que teria usado passava pelo aparelho que acabou de apagar. Nada funcionou mal; a restauração fez exatamente o que ela documenta. O que faltou foi o passo de entrar de fato no celular novo enquanto o antigo ainda funcionava.

Limitações deste guia

Isto descreve o que Google e Microsoft publicam sobre os próprios aplicativos. Não cobre outros aplicativos autenticadores, que usam abordagens diferentes de backup e transferência, e não deve ser generalizado para eles.

Não oferece passos de redefinição, reinstalação ou limpeza de dados, e não te diz como descartar o aparelho antigo. Essas coisas interagem exatamente com as entradas que você está tentando preservar, e com tudo o mais que está naquele aparelho, então a documentação atual de cada fornecedora é o lugar certo para elas.

A recuperação de conta é governada por cada serviço de destino, não pelo aplicativo autenticador. Se uma conta ficar inacessível, a rota de volta passa pelo processo de recuperação daquele serviço, e não por nada descrito aqui.

QR codes de exportação, chaves de configuração e códigos de recuperação equivalem aos próprios segredos. Eles não são evidência para anexar a um chamado de suporte, não são algo para fotografar para ninguém e não são algo para enviar a nós ou a quem quer que diga representar um serviço. Se te pedirem um deles em algum momento, isso é motivo para parar. A forma geral desse conselho está em o que fazer diante de um código de verificação que você não pediu.

As nossas respostas de ajuda cobrem o lado do pedido, e um chamado de suporte é a rota para qualquer coisa específica de um pedido que você fez com a gente.

FAQ

Meus códigos de autenticador vão para o celular novo automaticamente?

Depende do aplicativo e de como cada entrada foi configurada. Entradas do Google Authenticator sincronizadas com a sua Conta do Google chegam quando você entra nela no aparelho novo; entradas que não estão sincronizadas exigem uma exportação do celular antigo. O Microsoft Authenticator restaura a partir de um backup, mas apenas no mesmo tipo de dispositivo e, para alguns tipos de conta, apenas o nome da conta. Trate “vai vir junto” como algo a verificar, e não a supor.

Estou saindo de iPhone para Android. O Microsoft Authenticator vai restaurar?

Não por esse caminho. A Microsoft afirma que backup e restauração funcionam apenas no mesmo tipo de dispositivo e que contas cujo backup foi feito no iOS não podem ser restauradas no Android. Planeje voltar a configurar o método de autenticação diretamente em cada serviço, nas contas que você já tem, e faça isso enquanto o celular antigo ainda funciona.

Posso apagar as contas do meu celular antigo depois que o novo estiver configurado?

Não como passo de arrumação, se as entradas estiverem sincronizadas. O Google afirma que apagar códigos sincronizados os remove de todos os dispositivos em que estão sincronizados, o que inclui o celular que você acabou de configurar. Confirme que o aparelho novo funciona e que você tem uma rota de recuperação independente, e então aposente o aparelho antigo pela orientação da própria fabricante, em vez de remover entradas de dentro do aplicativo.

A conta aparece no meu celular novo. Isso quer dizer que está funcionando?

Não necessariamente. Para entradas corporativas, de estudante e de entrada sem senha, a Microsoft restaura o nome da conta e ainda exige um login novo. O único jeito de distinguir um método funcionando de um nome listado é entrar com ele enquanto você ainda tem o aparelho antigo como rede de segurança.

Trocar de chip ou de número de telefone move o meu autenticador?

Não. As entradas de autenticador ficam no aplicativo e no backup dele, não no chip, então trocar um número ou uma linha não as move. Se uma conta também usa SMS como segundo fator, essa parte de fato acompanha o número — e é por isso que as duas coisas são fáceis de confundir, mesmo falhando de maneiras diferentes.

E se eu já apaguei o celular antigo e os códigos não foram transferidos?

A recuperação serviço a serviço não é necessariamente o primeiro passo. Confira antes os caminhos das fornecedoras: se as entradas do Google Authenticator estavam sincronizadas com a sua Conta do Google e você ainda consegue entrar nela, entrar no aparelho novo pode trazê-las; se existe um backup do Microsoft Authenticator, ele está acessível e foi feito no mesmo tipo de dispositivo, restaurá-lo pode trazer algumas entradas de volta — sujeito aos mesmos limites acima, já que entradas corporativas, de estudante e de entrada sem senha são restauradas como nome e ainda precisam de um login novo, e restaurar não deixa todos os métodos de autenticação prontos. Faça isso sem derrubar sessões que você ainda tem. Só onde nenhuma sincronização ou backup aplicável ajudar, e nenhum método independente que você registrou estiver disponível, é que a coisa vira um assunto de recuperação ou de rota administrativa de cada serviço, uma conta por vez.

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